Command line freaks

Eu comecei a programar no colégio, pois em concomitância com meu ensino médio, eu também fazia um curso técnico de desenvolvimento de sistemas. Comecei com Pascal e depois parti pra drogas mais pesadas, como Delphi. Depois da formatura, me interessei por Python e pelo Django, pois sempre gostei da área de desenvolvimento para a web. Programei por hobby, no começo, mas depois virou meu trabalho por um tempo. Profissionalmente, programei no Django por uns 8 meses, mais ou menos. Aí arranjei um emprego para trabalhar com Rails e foi aí que eu cresci na profissão. Aprendi um monte de coisas novas, muitas delas vou levar pra minha vida. Depois de um tempo, voltei pra Caxias do Sul e agora estou aí, à procura de vagas pra trabalhar, principalmente com webdev.

Na escola, usei por 1 ano o Turbo Pascal para fazer meus exercícios de programação. Ou seja, era um aplicativo que rodava (na época) no Windows 98 e era fullscreen, usando apenas os atalhos padrão do DOS. Delphi 5 rodava com interface gráfica, o que pra mim foi um alívio. Eu não conhecia o Linux e só vi mais ou menos como era, quando circulava um CD “inicializável” do Kurumin pela sala de aula.

Sempre tive dificuldade em memorizar coisas com decoreba. Me deparar com uma tela preta, um cursor piscando e, como se ele pudesse indagar “e aí, vai fazer o quê?”, sempre foi desmotivante pra mim. Eu ficava constantemente tentando me lembrar do maldito comando que queria executar, e não conseguia. Tentava me lembrar que comando servia para abrir o “help”, e também não me lembrava. Hoje, depois de usar o Terminal e o Command pra programar com o Django e com o Rails, eu sei. Depois de usar Linux por um longo período e também depois de ter adquirido um MacBook, eu sei. Porém antes, sempre foi um tormento e uma frustração muito grande.

Atualmente, usar o Terminal ou o Command não me intimida mais e nem me causa tanto desconforto. Entretanto, eu prefiro sempre que possível, ter uma interface gráfica pra lidar com o que eu preciso. Acho mais confortável poder clicar ou seguir uma árvore de um menu. Acho mais fácil memorizar caminhos e ações com algo que eu possa ver, que tenha formas e uma sequência que eu possa acompanhar visualmente.

Quando entrei pra computação, pensei que não sofreria preconceitos. Normalmente, as pessoas da área precisam ter a mente aberta, já que trata-se de uma ciência em constante atualização. E foi aí o meu engano…

Quando comecei a seguir os tutoriais do Django, eu instalei todo o ambiente de desenvolvimento no Windows XP. Era um sistema no qual eu me sentia confortável pra usar, em meados de 2006. Como não vi problema algum, fiz todos os exercícios propostos, depois inventei alguma implementação simples e coloquei a mão na massa. Surgiram alguns problemas que não eram cobertos pelo tutorial, e então decidi sair pedindo ajuda pra quem eu achei que poderia saber.

-“Peraí. Em que SO tu está programando?”
-“No Windows XP. Porquê?”
-“Aí está teu problema. Nada funciona nesse SO, troca ele por Linux e tudo vai funcionar.”

Esse diálogo sempre me incomodou. Como não iria funcionar no WinXP, se ele é apenas o sistema operacional? E mesmo que ele tivesse culpa, não percebi a grande heresia que havia cometido. Foi então que percebi que dentre os profissionais de TI, principalmente programadores, existe duas religiões bem distintas: os que programam em ambientes feitos pra Windows e os que programam em ambientes feitos pra Unix-like. Da mesma maneira que se comportam os macfags e o resto dos usuários de gadgets, os programadores se segregam e fazem deboche entre si. Não raro se ouve comentários como:

-“Ih, esse aí não pode ser bom programador se usa interface gráfica do GIT.”
-“Ah, programador de Windows! Você devia se envergonhar por usar um SO tão ruim!”
-“COMO ASSIM, TU NÃO SABE ABRIR UMA PASTA NO TERMINAL?”
-“Não confio em quem nunca usou o VIM.”
E por aí vai…

Eu não vejo porque deve haver esse tipo de preconceito. Parece que, pra entrar na “seita” de algumas linguagens de programação, eu deveria passar por um ritual de purificação intenso (ou lavagem cerebral), aceitar a doutrina sem questionar e continuar debochando e desprezando os que não se comportam da maneira sugerida. Quando fui no FISL pela primeira vez, eu não usava Linux. Quando disse que programava em Python no Windows, quase fui apedrejada, com comentários como: “Que tipo de usuária de software livre é você? Não pode programar em Windows! E como tu fez pra instalar o ambiente nesse SO? Duvido que funcione!”. E o comentário não foi dito em tom de brincadeira.

Eu acho uma besteira sem tamanho julgar um programador pelas ferramentas que ele usa, mas mais do que isso, acho um absurdo excluir e desprezar um profissional por ele ter opiniões divergentes do padrão dos demais. Atitudes infantis como essas são perdoáveis em crianças e não em marmanjos. Acho muito pior ver programadores que se acham os maiorais por usar as ferramentas de sua “seita” conforme manda o código de conduta do grupo, fazendo gambiarras homéricas em códigos de sistemas. Acho horrível ver que o ambiente está certo, mas os processos são falhos e geram retrabalho. Deplorável, ainda, é ver o programador com as ferramentas certas e a lógica esquecida no fundo de uma gaveta.

Não amo e nem odeio ter que usar o Terminal, pois ele mesmo já me salvou várias vezes. Eu o uso como a ferramenta que ele é, sem idolatrar. Essa mania de idolatrar que a maioria tem me irrita profundamente. Não sabem viver sem endeusar alguma coisa, parece que precisam ter alguma “divindade” pra adorar e oferecer sacrifícios.

Não idolatre, não discrimine e não feche a sua mente. Prefira compartilhar conhecimento, conversar (como gente) sobre o que você sabe e julga ser mais fácil para a prática da profissão. Nem tudo que você usa como ferramentas é o mais indicado pra pessoa com a qual você está há horas tentando convencer que é melhor usar o VIM e não o TextMate.

Livre-se desses velhos estigmas e liberte os outros ao seu redor.

Vida de Nerd – Programação e Kung Fu

Olá pessoal!

Vocês devem estar se perguntando o que tem a ver uma coisa com a outra, ou até mesmo que erva estranha eu fumei para sair com um relacionamento assim, sem pé nem cabeça. Porém, verificando as caracteristicas dessas duas artes, conseguimos ver que existem muito mais coisas em comum que realmente pensamos.

Inicialmente, podemos analisar o significado da expressão Kung Fu. Esse termo é usado no ocidente para representar uma das mais antigas artes marciais, mas na China, onde é seu país de origem Kung Fu (ou pelo pinyin “gongfu”) é uma palavra chinesa que, em forma coloquial que pode significar “trabalho duro” ou algo adquirido através do esforço e competência.

Seguindo essa ideia, vemos muitas coisas em comum, por exemplo, pelo menos na grande maioria dos casos aqui do Brasil, existe alguém mais duro que um programador? Além disso, para um programador conseguir chegar o mais próximo da perfeição, exige-se muito estudo, muitas horas treinando, no caso da programação entende-se como programando (a vá, sério) e enfrentando desafios, que trazem uma bagagem de aprendizado muito grande. Além, claro de um dos princípios principais que sempre devem estar em primeiro plano: a Humildade. Saber ouvir os programadores mais velhos. Por mais antiga que seja a tecnologia que ele use, sempre vai poder te ensinar coisas novas.

Ainda falando do processo de aprendizagem, tem-se um mestre em que nos ensina a sua arte ou até mesmo uma grande personalidade que serve de inspiração e que merece seguido, acompanhando e aprendendo com ele.

Um outro ponto de comparação são as graduações. Ambos os casos, por muito tempo não foram usados, mas por necessidade e para fazer um nivelamento entre os artistas, foram criadas graduações conforme as habilidades em comum e conforme o tempo de “estrada”. Além de que os artistas mais experientes sempre incentivam os mais iniciantes a nunca desistirem no meio de sua jornada.

O Kung Fu é a arte marcial que deu origem a diversas outras, nas quais foram utilizados os seus conceitos e foram sendo melhorados e aprimorados conforme a necessidade. O mesmo ocorre com a linguagem de programação C, que a partir dela surgiram diversas outras linguagens.

E claro, como em qualquer atividade que seja feita, existem as pessoas que se destacam mais e adquirem conhecimento e avançam a sua longa jornada e evoluem nas graduações mais rapidamente que outros.

E por hora é isto.

Existem mais muitas outras caracteristicas que podem se comparadas e levantadas.

Até a próxima!

Um post de letrinhas (nº 17)

Aconteceu muita coisa na minha vida, nestes últimos dois anos. Eu saí do conforto da casa de meus pais para encarar a vida de pagar as próprias contas, posteriormente viver em outra cidade e ver que morar sozinha não é fácil, mas nem de longe é ruim. Eu recomendo essa experiência para todos que reclamam (baseado em birra e excesso de barda*) que morar com os pais é ruim, que é preciso seguir as regras deles, que é preciso dar satisfação de onde se está e pra onde se vai, a que horas volta, com quem volta, etc. Você vai ver que ligar pra sua mãe pra avisar que está na casa de um amigo e que vai voltar só depois do jantar era de fato a menor das suas preocupações. Provavelmente vai ter raiva de quem você era, depois de amadurecer na marra. Isso faz bem, demonstra crescimento como ser humano dotado de julgamento e crítica.

Nesse tempo, tive dois empregos bastante distintos. Fiz amigos distintos também, os quais a maioria ainda tenho contato. Aprendi muito, enriqueci meu currículo e voltei pra Caxias com uma bagagem cultural e de conhecimento certamente muito maior do que a que levei pra Porto Alegre.

A coisa mais importante que pude aprender, nesse tempo todo, foi a me afastar de pessoas cujo relacionamento era prejudicial à mim. Isso não é simplesmente terminar um namoro ou ignorar alguém chato no ônibus. É o exercício de identificar as pessoas que tem o dom de te trazer pra baixo, de sabotar seu dia e de deixa-lo com a sensação de que nada mais vale à pena na vida. Pessoas que somente observam seu fracasso, sua derrota e sua tristeza. Gente que não sabe valorizar uma amizade, um favor ou um conselho. Sempre me disseram, aliás, que se conselho fosse bom a gente deveria vender. Eu, além de nunca ter cobrado por eles, sempre os dei com vontade genuína de ajudar. Não sinto prazer na derrota dos outros e nem acho bom ver alguém afundar, sabendo que eu posso dizer algumas palavras pra evitar que isso aconteça. Nessa boa vontade toda, aprendi também que não adianta “salvar” quem não quer ser “salvo”. Há quem aprecie mais sentir-se triste e incapaz, do que sentir-se alegre e confiante. Eu nunca vou entender como isso pode ser benéfico (ou confortante), mas já há algum tempo eu respeito. Afinal, meus direitos terminam onde começam os do próximo.

Tive amigos muito importantes, que posso contar nos dedos das mãos. Me ajudaram muito quando mais precisei, me disseram palavras que iluminaram meu caminho, me ofereceram seus ombros como apoio e como conforto, me fizeram rir (mesmo da desgraça) e me fizeram ver o lado bom em tudo. Vocês sabem quem são, tenho certeza disso. À vocês, dedico minha eterna gratidão. E quem me conhece, sabe que isso significa que vou retribuir tudo isso, nem que leve minha vida toda.

Me viciei em trabalho. Quem viveu ao meu redor nessa época, certamente me viu na minha pior forma até hoje. Fiquei cega por trabalho, tanto que eu tinha meu turno de 8 horas diárias no meu emprego e minha diversão no meu tempo livre era trabalhar mais ainda. Eu não tinha limites pra horário. Meu dia começava às 8 da manhã e terminava só no outro dia, lá pelas 2 da madrugada. Sono completamente perturbado, pesadelos todas as noites, ansiedade à mil e uma sensação de vazio completo. Por uns longos 3 ou 4 anos eu me desgastei, cheguei muito perto de um colapso nervoso. Aí, com a ajuda de pessoas maravilhosas e muito pacientes (perseverantes também), eu acordei e vi que precisava relaxar. Aquilo não me levaria à lugar nenhum, ao menos não no ritmo que eu estava indo. Desse “despertar” pra vida, nasceu a Taverna do Menestrel e minha mais nova paixão pelo desenho. Ganhei revistas-tutoriais, comprei um caderno de desenho, lápis de cor, giz de cera, tinta guache, massinha de modelar e tudo o que fosse necessário pra fazer aquilo que eu quisesse. Produzi coisas boas, melhores do que eu esperava. Se quiser, confira meu perfil no DeviantART.

A Taverna do Menestrel é um empreendimento que tenho com o Douglas, que hoje é meu namorado. Vai a passos pequenos, mas sólidos. Tenho boas esperanças acerca desse negócio, acho que vai ser algo muito além de divertido, vai ser algo que poderá revolucionar a ideia que temos hoje sobre como devemos reunir pessoas para jogar RPG. Temos alguns projetos na área de jogos que prometem ser muito bons. Enfim, acho que ainda esse ano vamos anunciar coisas novas sobre a Taverna do Menestrel por aqui e pelo Facebook. A página ainda é tímida, pois vamos alimentá-la de fato quando houver conteúdo relevante para publicação.

Sinto que esse ano de 2013 me trará bons ventos, que irão inflar as velas de meu navio e irão me tirar da calmaria que vivi nos últimos meses. Vou aproveitar todos eles ao máximo, pra ver se me dou melhor em outros mares e também vou usá-los para crescer, aprender e amadurecer mais ainda. Vou cultivar mais a “criança” dentro de mim, para que minha criatividade e minha imaginação jamais tenham limites impostos pela rotina do dia a dia.

Ah, voltei a jogar videogame também. No momento, estou apaixonada por Gran Turismo 5. Amo jogos de corrida, principalmente de carros. Me aprimorei no Magic e agora jogo com a gurizada da cidade novamente. Fiz decks novos e de quebra, ainda ensinei minha mãe a jogar. :)

I guess that’s all, folks!

Os números de 2012 – Feliz 2013!

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

4,329 films were submitted to the 2012 Cannes Film Festival. This blog had 19.000 views in 2012. If each view were a film, this blog would power 4 Film Festivals

Clique aqui para ver o relatório completo

E que venham muitos textos, piadas horríveis, músicas para strip-tease e muitas risadas pra gente! Valeu, gurizada!

As melhores músicas para fazer strip-tease (nº 13)

Vamos aproveitar que Agosto ainda é o mês do cachorro louco e pirar nessa seleção de músicas para aquecer seu final de semana.

Death Proof – Down in Mexico

sugestão de Amora, via Facebook

Aerosmith – Lord of The Thighs

Kiss – Let’s Put The X In Sex

sugestão de Vinícius, via Facebook

Whitesnake – Woman Trouble Blues

Deep Purple – Love Child

Sejam criativos, elaborem cenários, role play ou qualquer coisa que apimente ainda mais a encenação da dança. Vocês vão gostar ;)

Vida de Nerd – Tipo Urso!

Olá galera!

Fim do ano passado, para ser mais exato por volta de Setembro de 2011 tive uma lesão na coluna a qual fiquei uma semana andando como o Corcunda de Notre Dame, sempre a base de remédios para controlar a dor e coisas do gênero. Foi mais ou menos um mês dessa forma.

Como já era a segunda vez que esse tipo de coisa estava acontecendo comigo, resolvi consultar um especialista para me dizer o que poderia ser feito para resolver.

Feito isso, depois de uma série de exames, desde “fotos panorâmicas” da minha coluna até exames que me fizeram passar uma noite de rei antes de fazer um simples raio X. Sim, uma noite de rei, pois passei algumas horas no trono, naquela posição do pensador, “meditando” sobre o universo, a vida e tudo mais. Chegado ao veredito do médico, esse nerd que vos escreve deveria frequentar a academia para fortalecer os músculos das costas.

Sendo assim, desde então comecei a procurar um local bacana fazer os benditos exercícios. Como requisitos, eu procurava um local onde fosse próximo de onde trabalho, pois assim seria bem mais prático e fácil de manter a rotina de exercícios.

Visitadas algumas academias, para resolver um problema das costas, eu deveria deixar um rim para poder frequentar. Pensei logo, eu gosto tanto do meu rim que prefiro procurar um outro local.

Sem muita procura, encontrei a academia de um “Marombeiro Jedi Master”, 6 vezes campeão mundial de levantamento de peso e chegou quebrar alguns recordes mundiais, sul-americanos e brasileiros dessa mesma modalidade. Como eu tenho um dedo especial para encontrar lugares vintages, essa academia não poderia deixar de ser diferente. Cheguei lá, essa mesma pessoa que descrevi anteriormente me atendeu de uma forma que pensei “vai ser aqui mesmo”. Nem 5 minutos de conversa, conhecendo a academia, que não é lá muito grande, encontrei um amigo do tempo de escola (ensino fundamental ainda). Como os valores do passe livre era bem mais acessível e aceitável, resolvi iniciar naquela mesma semana.

Começando a dar adeus ao sedentarismo, comecei com uns 10 minutos de pedalada de forma tranquila. Pensei como 10 minutos poderiam ser tão demorados assim. Ao fim eu já estava morto, e olha que isso foi só o início. Depois algumas séries de exercícios para ir me adaptando aos equipamentos e tal. No dia seguinte como era de se esperar, acordei me perguntando “alguém anotou a placa?”, pois estava simplesmente destruído.

Dessa forma fui avançando, cada vez mais vendo os ganhos de todo aquele sofrimento e percebido que aquilo realmente estava valendo a pena.

Depois de 7 meses de academia, aumentei em 6 quilos a minha massa corporal (e dê-lhe lasanha e macarrão!!! hahaha), aumento considerável de força e resistência. Com todo esse tempo já deixei de ter aquele corpo de louva-a-deus, agora tenho um “imponente” corpo de um jovem gafanhoto. Fora isso, o ganho de resistência, auto-estima e segurança  também apareceram, melhorando em muito a minha qualidade de vida.

Fazendo um breve comparativo, se programar é a manufatura de transformar o café em software, com certeza a malhação é a manufatura de transformar o frango em músculo. “Se um marombeiro vir uma galinha na rua, o mesmo sai correndo para tentar comer”. Esta frase entendam como quiserem, com simples, duplo, triplo ou quantos sentidos conseguirem encontrar!

Até mais pessoal!

E tipo urso, que unha!