Vida de Nerd – Tipo Urso!

Olá galera!

Fim do ano passado, para ser mais exato por volta de Setembro de 2011 tive uma lesão na coluna a qual fiquei uma semana andando como o Corcunda de Notre Dame, sempre a base de remédios para controlar a dor e coisas do gênero. Foi mais ou menos um mês dessa forma.

Como já era a segunda vez que esse tipo de coisa estava acontecendo comigo, resolvi consultar um especialista para me dizer o que poderia ser feito para resolver.

Feito isso, depois de uma série de exames, desde “fotos panorâmicas” da minha coluna até exames que me fizeram passar uma noite de rei antes de fazer um simples raio X. Sim, uma noite de rei, pois passei algumas horas no trono, naquela posição do pensador, “meditando” sobre o universo, a vida e tudo mais. Chegado ao veredito do médico, esse nerd que vos escreve deveria frequentar a academia para fortalecer os músculos das costas.

Sendo assim, desde então comecei a procurar um local bacana fazer os benditos exercícios. Como requisitos, eu procurava um local onde fosse próximo de onde trabalho, pois assim seria bem mais prático e fácil de manter a rotina de exercícios.

Visitadas algumas academias, para resolver um problema das costas, eu deveria deixar um rim para poder frequentar. Pensei logo, eu gosto tanto do meu rim que prefiro procurar um outro local.

Sem muita procura, encontrei a academia de um “Marombeiro Jedi Master”, 6 vezes campeão mundial de levantamento de peso e chegou quebrar alguns recordes mundiais, sul-americanos e brasileiros dessa mesma modalidade. Como eu tenho um dedo especial para encontrar lugares vintages, essa academia não poderia deixar de ser diferente. Cheguei lá, essa mesma pessoa que descrevi anteriormente me atendeu de uma forma que pensei “vai ser aqui mesmo”. Nem 5 minutos de conversa, conhecendo a academia, que não é lá muito grande, encontrei um amigo do tempo de escola (ensino fundamental ainda). Como os valores do passe livre era bem mais acessível e aceitável, resolvi iniciar naquela mesma semana.

Começando a dar adeus ao sedentarismo, comecei com uns 10 minutos de pedalada de forma tranquila. Pensei como 10 minutos poderiam ser tão demorados assim. Ao fim eu já estava morto, e olha que isso foi só o início. Depois algumas séries de exercícios para ir me adaptando aos equipamentos e tal. No dia seguinte como era de se esperar, acordei me perguntando “alguém anotou a placa?”, pois estava simplesmente destruído.

Dessa forma fui avançando, cada vez mais vendo os ganhos de todo aquele sofrimento e percebido que aquilo realmente estava valendo a pena.

Depois de 7 meses de academia, aumentei em 6 quilos a minha massa corporal (e dê-lhe lasanha e macarrão!!! hahaha), aumento considerável de força e resistência. Com todo esse tempo já deixei de ter aquele corpo de louva-a-deus, agora tenho um “imponente” corpo de um jovem gafanhoto. Fora isso, o ganho de resistência, auto-estima e segurança  também apareceram, melhorando em muito a minha qualidade de vida.

Fazendo um breve comparativo, se programar é a manufatura de transformar o café em software, com certeza a malhação é a manufatura de transformar o frango em músculo. “Se um marombeiro vir uma galinha na rua, o mesmo sai correndo para tentar comer”. Esta frase entendam como quiserem, com simples, duplo, triplo ou quantos sentidos conseguirem encontrar!

Até mais pessoal!

E tipo urso, que unha!

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A Triste Fábula da Tecnologia em Caxias do Sul (parte 2 e final)

A empresa cresceu, mesmo na crise. Evercleidson havia mudado de nome, pois havia lido na Veja que não poderia ser um empresário de sucesso com um nome tão incomum. Foi até o cartório local e alegando ter um nome vexatório para o mundo profissional, trocou seu nome para Teodoro Pinto. Este, por sua vez, não foi inteligente o bastante para verificar a cacofonia que havia criado com seu próprio nome, sendo vítima de constantes brincadeirinhas maliciosas por parte de seus colegas de trabalho. Até mesmo os novos estagiários estavam tirando sarro dele. Nesse exato momento ele soube que não podia cavar mais, pois já encontrava-se no fundo do poço.

Teodoro ainda era chamado de “Cledinho”, pois os empregados e chefes ainda não haviam se acostumado com seu novo nome. Ele já nem se importava tanto, pois estava muito atarefado com as atualizações no sistema do Seu Zé e com as novas demandas de venda. Como bom programalista que era, ele havia dobrado seu turno de trabalho (que antes era de três horas e meia) para poder projetar as mudanças e os processos nos poucos pedacinhos de papel que ainda haviam, após a grande revolução das planilhas. Atualmente a empresa contava com o presidente e o gerente geral (a dupla de franzinos), Cledinho e dois estagiários. O pagamento aos estagiários era feito basicamente em créditos nas malocas, pois os guris contratados possuíam idade entre 15 e 18 anos, tendo ainda grande parte de seu sustento garantido pelos pais.

Téo (como preferiu ser chamado posteriormente, sem sucesso em evitar as brincadeiras) passava horas desenhando diagramas e digitando fragmentos de códigos para os estagiários. Era complicado passar seu raciocínio adiante sem ter de explicá-lo, pois como nunca havia participado das lições de caligrafia, seus desenhos e textos poderiam ser facilmente confundidos com escrita alienígena. Depois de passar as instruções, seus desenhos e fragmentos de códigos eram jogados no lixo, pois acreditava que o estagiário seria capaz de lembrar perfeitamente, por 10 anos, o que havia explicado em apenas 10 minutos. Naturalmente, Téo era obrigado a explicar tudo novamente aos estagiários a cada dia que passava. Vendo a necessidade de manter registros aos quais seus estagiários poderiam consultar sem ter de importuná-lo, ele resolveu que começaria a desenhar melhor e escrever melhor. Passou várias noites com as folhas pautadas que haviam sobrevivido à revolução das planilhas, desenhando o que acreditava serem diagramas de caso de uso, de atividade e de sequência. Consumiu pacotes e pacotes de folhas pautadas e os guardava com a segurança de um cofre. Após ter terminado todo o trabalho, ele alugou um carrinho de mão com o Sr. Giácomo e levou tudo para a empresa. Os estagiários estavam estupefatos e mal acreditavam na montanha de papel que estavam vendo. Ficaram ainda mais perplexos em saber que aquele monte de papel substituiria suas perguntas corriqueiras a Téo, dando a ele mais espaço e tempo para projetar o que faltava para o sistema do Seu Zé. Nesse momento, surgia a Documentação, a Engenharia de Software e o BPM.

O trabalho agora fluía um pouco melhor para Téo. Seus estagiários consumiam bastante tempo folheando a sua obra e tentando encontrar as respostas para suas perguntas. Tal qual crianças, Téo achava melhor mantê-los ocupados do que interrompendo-o a cada 10 minutos com questionamentos tolos. Bem, eram tolos para Téo, que achava-se a bolacha mais recheada do pacote. Já para os estagiários, era hora de começar a distribuir currículos.

Os franzinos, ao ver todo aquele cenário, começaram a perceber que apesar de ter tudo documentado, o trabalho não andava. O prazo estava encerrando-se, Seu Zé dizia incessantemente que iria adquirir a solução do concorrente (pessoal da garagem do Monza), e nada do sistema voltar a funcionar. Já estavam pensando que haveriam de pagar seus funcionários com favores sexuais se a coisa continuasse daquela forma. Decidiram que não aboliriam a papelada toda, mas que iriam contratar alguém para interpretar o que Téo havia escrito e que esta pessoa iria repassar para seus estagiários. Nesse momento, criou-se o Treinamento.

Primeiramente as aulas eram ministradas por Téo, onde este citava parágrafos de sua obra com exatidão, fazendo seus aprendizes soltarem suspiros e dirigirem olhares de admiração. Após alguns dias, por conta da pressão incessante de Seu Zé, ele decidiu nomear um dos estagiários para ser seu substituto e ensinar ao outro o que faltava. No final do período previsto, ambos sabiam o suficiente para tocar o desenvolvimento do sistema e adotar um ritmo de trabalho mais aceitável. Porém, durante o treinamento, o estagiário responsável por ensinar o outro decidiu alterar um pouquinho os ensinamentos da documentação de Téo e torná-los mais…ágeis. Ambos acharam que haviam reinventado a roda com um design fantástico e decidiram dar um nome à sua mais nova peripécia: iria se chamar Metodologia Ágil.

Quando os estagiários conversaram com Téo e disseram que haviam aprimorado seus sistema, este adotou uma postura que foi de incrédulo a maníaco à medida que ia lendo o que os estagiários haviam escrito. Disse que aquilo não passava de pensamentos imaturos de jovens loucos, que não sabiam o que era certo e que provavelmente ninguém nunca iria usar essa baboseira para fazer sistemas. O software poderia ser entregue em um CD, porém junto com ele deveria ser entregue uma tonelada de papel, para nosso gringo habitante de Caxias do Sul (que valoriza um objeto/item pelo seu peso) pudesse pagar o que fora pedido em contrato. Flip e Flop (como eram chamados) pegaram de volta seus manuscritos e os guardaram, pois decidiram que estava muito à frente de seu tempo e que, certamente, alguém no futuro iria ler e apreciar suas ideias. Talvez mais do que isso, quem sabe até fossem utilizar em algum projeto para poder testar sua aplicabilidade. Mal sabiam eles que os gringos jamais mudariam e que seu novo método só seria usado em metrópoles onde as pessoas tivessem a mente mais aberta e a mão menos fechada.

Nos termos ditados por Téo, o sistema de Seu Zé foi entregue com atraso, porém funcionando. Na promessa de nunca mais atrasar nenhum projeto deste cliente (o que sabemos ser apenas um delírio), Seu Zé firmou contrato de manutenção e a cada nova atualização ele teria que mandar seu filho mirrado e esquelético buscar o carrinho de mão pra trazer a papelada que viria acompanhada de um singelo CD. Quando questionado sobre a importância dessa papelada no seu entendimento do sistema, Seu Zé respondeu da seguinte maneira:

-Viu só o tamanho da pilha de papel? Eles gastarron molto mais che io pra fazer tutti questo. Assim io sei che valeu à pena ter investido, perchè vem tutti questo zunto. Nón entendo nada, ma pelo menos nón me vem só un CDzinho. Un CD io compro ali nos camelô por 2 real.

Frustrados e não conformados, Flip e Flop decidiram levar sua metodologia à concorrência, ou seja, ao pessoal da garagem do Monza. Chegando lá, foram bem recebidos e tiveram a devida importância dada à sua criação. Em um projeto menor, investiram no uso da Metodologia Àgil e tiveram ótimos resultados, tendo terminado o projeto no prazo determinado e com muito menos falhas do que se tivessem usado o método de Téo. Flip decidiu que a empresa de Téo não o valorizava enquanto funcionário pensante (apenas como regurgitador de código) e decidiu levar Flop junto para desenvolverem com o pessoal do Monza. Téo ficou arrasado e não saberia o que dizer aos seus chefes, pois perdera dois ótimos monkey workers para os “hippies”.

Encurtando a história, a empresa de Téo passou por maus bocados até encontrar novos monkey workers. Até ali Seu Zé cobrava os prazos como se a empresa não estivesse passando por nada, afinal, ele havia pagado muito bem para ter seus serviços no tempo esperado. A empresa do Monza teve bastante sucesso e prosperou mais rapidamente que a empresa de Téo, vendendo sistemas inicialmente para empresas menores e depois para as maiores, onde estas apagavam o sistema de Téo para colocar o sistema do Monza. Téo vive hoje basicamente de seus clientes antigos e fiéis, que não substituem o seus sistemas porque acham que irão perder tudo e ainda ter um alto custo de migração e treinamento.

Fim.

A Triste Fábula da Tecnologia em Caxias do Sul (parte 1)

No começo, tudo era trevas. As folhas pautadas e os formulários reinavam absolutos na pequena cidade de Caxias do Sul. As empresas fabricantes de canetas (em especial a BIC) faturavam milhões com a venda de canetas azuis, pretas e vermelhas para o mundo empresarial. Também tinham a sua grande parcela neste mercado os fabricantes de máquina de escrever, bem como os fornecedores de fitas para estas máquinas. A indústria do papel mal dava conta do consumo desenfreado deste pequenino município, tendo que desmatar grande parte da Amazônia para suprir a necessidade de cada empresário gringo em ter seu papelzinho em cima da mesa. O IBAMA, que havia sido criado especialmente para controlar a indústria moveleira do nordeste, ficou de olho aberto e cerco fechado para os fornecedores de papel que negociavam com os comerciantes daqui.

Dadas as condições de comunicação da época, onde a palavra escrita à punho valia mais do que o fio do bigode da mãe do balconista do mercadinho, um jovem franzino que recém mandou vir seu IBM pra montar no final de semana (que será a grande diversão entre seus amigos), tem a seguinte ideia: “já sei montar PC, já sei programar, vou inventar algo que faça sumir essa papelama da mesa da minha mãe. Daqui a pouco ela ai querer enfiar isso no meu quarto, então é melhor eu tomar alguma providência urgente!” Dizem que, pelo fato de haver muita pressa no desenvolvimento e também da cobrança da mãe do garoto, ele e mais um amigo se fecharam na garagem (deixando o Monza do véio na chuva) e colocaram a mão na massa pra valer. Desta forma, segundo os boatos da região, surgiu o Windows e o Office.

Mais tarde, logo após a insistência de vários estagiários dos armarinhos locais, o reinado das planilhas começou. Era bonito de ver a cara dos chefes extremamente satisfeitos em ver aquele monte de gráfico em 16 bits de cor, com fórmulas mirabolantes e células que se coloriam conforme mudavam os valores nelas contidos. Até o mercadinho do Zé Quirera tinha planilha pra controlar o estoque, as vendas e as compras dos fornecedores. Um luxo!

O reinado do Excel durou por muitos e muitos anos. Em Caxias do Sul se criaram faculdades em torno das tecnologias existentes na época, fazendo com que os jovens franzinos e de aparência assustadora pudessem ter novamente seu lugar na sociedade, longe dos bullyings e das garotas forçudas. O jovem que supracitamos era carinhosamente chamado pela mãe de “Toni” tornou-se Antônio Capelletti Tortellinni, com todas as consoantes duplas a que tinha direito. Mais tarde, afetado pela fama e pela perseguição das fãs (as forçudinhas de antes), ele decidiu mudar de nome, atendendo pela alcunha de Bill Gates e se bandeou para as terras dos ianques. A colônia nada mais podia oferecer para sua expansão profissional, apenas servia como grande consumidora dos seus produtos.

Depois da primeira turma de formandos em Montagem e Programação, surgiu um grupo bem diferente de jovens em relação aos quais estávamos todos acostumados a ver. Começaram a deixar seu cabelo crescer e a usar roupas mais largas e confortáveis. Diziam que não iriam colaborar com as empresas dos “tchucos” e iriam formular seu próprio jeito de programar. Também decidiram que iriam ajudar os comerciantes que não podiam pagar pelos altos preços dos produtos do Ton..er..Bill, desenvolvendo seu próprio ambiente de programação, bem como seus próprios programas. Decidiram, ainda, que não iriam cobrar um centavo pelo que fizessem e que iriam distribuir tudo com fonte aberto, desde que nunca retirassem a referência à eles dos seus softwares. Mais uma vez, os boatos confirmam o surgimento do Linux e do Software Livre e Aberto.

Os grandes donos de comércio e de algumas enormes metalúrgicas decidiram que iriam continuar com os produtos do Bill, e que não iriam mudar para o “concorrente” (que oferecia tudo de graça), pois pensavam que não se tratavam de produtos de qualidade. Isso dificultou a vida dos cabeludos, mas não impediu que continuassem crescendo no mercado. Eles contavam bastante com a propaganda “boca em boca”, pois além de tudo não tinham como pagar por outro meio de divulgação, já que não tinham nem um tostão furado pra comprar meias novas. A armação de seus óculos, que antes era tão sólida, hoje é remendada com silver tape, pois a fita crepe já não dava mais conta do recado.

Neste meio tempo, observando como tudo ia caminhando no mundo empresarial desta enorme metrópole ítalo-brasileira, um jovem resolveu pensar fora da caixa. Chegou à conclusão de que, como ele também sabia programar, ele poderia customizar os produtos já existentes no mercado. Ele sabia que não obteria nenhum código fonte a menos que se comprometesse a não cobrar nada por aquilo que desenvolvesse. Gringo nato de sangue azul marinho, jamais aceitaria trabalhar de graça, ainda mais sendo em algo extremamente desgastante. Lembrando que sabia programar e que tinha conhecido um compilador apresentado em uma de suas aulas por um colega, resolveu ligar pra esse cara e ver se ele queria montar um empresa customizadora de Excel. Em resposta, o cara disse que topava e que poderiam juntos fazer coisas bem melhores e que pudessem satisfazer mais necessidades dos clientes num único produto. Dizem que nesse exato momento, surgiu a fábrica de software.

Os anos passaram, mais turmas se formaram e outros cursos de bacharelado foram desenvolvidos para atender o crescimento constante da nossa querida Caxias. Nesse meio tempo o programa controlador de estoque, vendas e compras da dupla dinâmica ficou pronto e Zé Quirera seria seu primeiro cliente. Deixaram o programa com Seu Zé por uma semana e depois retornaram contato para saber como estava o uso, se estava tudo bem, se nenhuma tentativa de suicídio havia sido reportada para a polícia recentemente. Ao contrário de tudo, Seu Zé retornou a ligação cheio de idéias novas e melhorias para o programa dos garotos. Tudo seria maravilhoso, se Seu Zé não tivesse pedido que tudo ficasse pronto em uma semana. Nesse dia, os garotos pensaram muitas vezes em ir morar numa praia nudista, viver de artesanato e ouvir reggae dia e noite sem parar. Quando recobraram a consciência, eles decidiram que sozinhos não dariam conta da situação e que precisariam de alguém para ajudá-los. Pouca gente apareceu pra entrevista de emprego e o selecionado acabou sendo um cara que chegou muito atrasado, que estava sujo e com a barba quase enrolando nos pentelhos da barriga. As pessoas mais velhas que entrevistei contam que nesse mesmo dia, nascia o Sistema de Gestão e a Gambiarra.

Com tudo feito em cima do laço e sem tempo para ensinar a regra de negócio do Seu Zé para o estagiário, eles entregaram o produto no prazo previsto. Certos de que a caminha de Evercleidson (nome do estagiário) poderia ser desfeita e o escritório teria novamente mais espaço (e menos fedor), eles recebem um telefonema: o sistema deu pau. O cliente explicou muitas vezes o que não estava mais funcionando, até que se cansou, xingou as gerações antepassadas e futuras dos meninos e desligou. Assustados com a reação de Seu Zé, resolveram abrir o código-fonte e dar uma olhada, afinal, o cliente parecia estar fazendo tudo certinho. Eis que a expressão na face destes infantes era algo que as palavras “desespero” ou “horror” jamais poderiam definir. Eles eram de uma cidade conservadora e jamais haviam visto uma lógica como aquela, se é que podemos chamar aquilo de lógica. Evercleidson havia morado em muitas cidades antes de exilar-se na nossa amada colônia, passando inclusive por Porto Alegre, a capital de tudo que havia de moderno. O estagiário infame os havia exposto a algo que eles jamais teriam contato se não fosse pela contratação emergencial e malfeita que fizeram. “Cledinho”, como o chamavam (Evercleidson era um nome impronunciável para eles) também os exporia para outra coisa a qual, em nenhuma parte de sua existência, pensariam que existisse. Era uma peste silenciosa, que apenas os atormentaria após algumas horas e reproduções sucessivas. Colocaria ovos e estes eclodiriam, gerando ainda mais pavor. Esta monstruosidade seria, mais tarde, conhecida como “gambiarra”.

Eles bem que tentaram colocar novamente o código em dia, mas era impossível, visto que as gambiarras eram extremamente ligadas e quase impossíveis de dissolver. Se tu apagasse uma, NADA mais funcionaria. Se não apagasse, tudo continuaria igualmente sem funcionar. Presos por isso e arrancando os cabelos, pediram humildemente para Evercleidson arrumar o que havia feito de errado. Este, por sua vez, disse que somente o faria se o promovessem de estagiário a algum cargo de maior importância dentro da empresa. Neste momento, nascia o Programalista…

*eu sei qual ovo que veio antes de qual galinha, mas na minha história, os fatos ficam mais engraçados da forma como narrei. Não seja um nerd pedante, apenas leia e aprecie.

Inverno em Caxias do Sul

Hoje eu fui tomar banho (às 6h45min), no meu saudoso (porém ineficiente) chuveiro elétrico, quando os termômetros marcavam algo em torno de -2°C. Quando eu saí do banho, já vestida, para estender minha toalha na área de serviço, eis que encontro esta paisagem:

Uma imagem, mais de perto, pra vocês verem o gelinho nos telhados:

E agora, turistas do sudeste, centro-oeste, norte e nordeste: tão afim de vir passar frio nessa terra from hell? Tomar vinho na sacada, antes que esfrie mesmo? Hein, hein? Tragam seus casacos de escalar o Monte Everest, porque a temperatura está de renguear cusco! Venham, passem uma semana e depois voltem pras suas casas quentinhas à beira mar.


humpf…

A Morte dos Bares de Caxias do Sul

Galleria, Holy Beer, Cantina Velha Estação, Upir, Revival…um a um, eles foram fechando. A cena do rock em South Caxias City, que já não era boa, ficou pior depois que estes bares fecharam. tentaram nos acalentar com pubs, mas não é a mesma coisa. Nós, músicos, continuamos órfãos e sem termos onde mostrar nosso trabalho.

Parece que ninguém mais gosta de rock. Antigamente era fácil encontrar metalheads pelas ruas da cidade. Hoje parece que ou viraram emos, ou cresceram e mataram o metaleiro dentro de si. Ou ainda pode ter passado a moda de vestir spikes, camiseta preta e coturnos. Na pior das hipóteses, abandonaram o rock e decidiram investir em algo mais popular que, por consequência, dá mais dinheiro.

Nos áureos anos da cena do metal em Caxias, o Galleria e o Revival tinham agenda sempre lotada. Bandas e mais bandas consagraram-se na cidade e região por terem tido uma chance nos referidos bares. Fosse em festivais, fosse em noite dedicada, todos tivemos nosso lugarzinho embaixo dos refletores na noite caxiense.

Aquela era uma época muito boa. Havia bandas de todas as vertentes do metal tocando em Caxias. Eu vi Akashic, Fire Symphony, Hecatombe, Burning in Hell e Naja. Dava gosto de pagar 10 reais de entrada, pois eu sabia que a noite seria ótima. Hoje, entretanto, temos algumas bandas de cover únicos (Guns n’ Roses, Kiss, Bon Jovi, etc.). algumas bandas que tocam algo meio pop-rock e bandas de fora da cidade. O metal foi caindo aos poucos de seu trono para ficar de mero coadjuvante, tendo um show aqui e ali, tímido e pouco reconhecido.


*A gurizada se divertia muito no Revival. Nunca um bar tão mal ventilado foi tão acolhedor ao mesmo tempo.

Outro bar que era um boteco pior que o Galleria, era o Cantina. Não que isso seja pejorativo, já que no fundo o charme dele era esse, ser um porão cheio de mofo, com teias de aranha, banheiros alagados que serviam de motel improvisado, chão de concreto e cerveja de litro (afinal, macho que é macho não toma long neck). Não havia uma agenda lotada, já que muitas vezes nem show tinha. Porém, era lá que muitas vezes encontrei meus amigos para banguear a noite toda, tomar cerveja e jogar conversa fora.


*Será que estávamos bêbados?

O Holy Beer eu nunca fui, mas teve alguns bons festivais por lá. Sempre vi os cartazes na rua, mas nunca tomei coragem por ser muito longe da minha casa e ter a grande possibilidade de eu gastar mais com táxi do que com bebida. E este, definitvamente, não era meu objetivo.

O Upir seguia bem a ideia de barzinho. Tinha, inicialmente, umas mesinhas para sentar, uma decoração fodástica, músicas boas passando num telão e bebida barata. Era possível comprar uma garrafa de Norteña por 5 reais, cosa que hoje não compra nem uma Heineken. Depois reformaram o bar, usando um modelo de “vagão de trem antigo” para sofás e mesinhas. Tiraram o demônio muito bem feito que tinha na pendurado na parede para colocar luminárias e quadrinhos pequenos com fotos de bandas. Fizeram o balcão maior, retiraram o demoniozinho que ficava num pote de pepino, com água borbulhando e trocando de cor. Tiraram o telão e deixaram somente uma TV. Logo que o Revival fechou, o Upir teve um aumento significativo de clientela. Lotava o bar, faltava cerveja e as pessoas mal cabiam lá dentro. Aí, sem mais nem menos, o bar fechou. Até hoje nem imagino o motivo, mas sinto muitas saudades. A definição de barzinho bom era o Upir.

O Galleria possuia uma existência paradoxal. Era ruim, mas era ótimo ao mesmo tempo. Era ruim porque a conservação do bar era péssima. Os banheiros eram limpos raramente, as paredes possuíam buracos onde os meninos podiam ver as meninas…mijando. Ou se comendo, dependendo da altura da noite. O som era ruim e o ambiente era muito mal ventilado. Porém, era bom porque tinha uma mesa de sinuca cheia de caimentos (o que deixava o jogo mais emocionante), a bebida era relativamente barata, a caipirinha de vinho servida na jarra era simplesmente o máximo e os atendentes eram bastante atenciosos (dentro dos limites da gentileza de um metaleiro).


*Este foi o segundo show com minha primeira banda no Galleria

Posso dizer que se eu consolidei meu gosto pelo metal foi, certamente, por ter shows de metal para ver. Poder exercer a arte de ser metaleiro não tem preço. Estes bares fecharam, mas eu ainda tenho esperanças de que bares com menos arrogância diante de bandas iniciantes surja em Caxias e salve o metal do esquecimento.