Eu jogo MMORPGs ruins

Eu jogo MMORPGs e assemelhados desde 2003. Mais ou menos nessa época, a Blizzard tinha recém lançado o World of Warcraft, jogo que já começou sendo pago e era muito bonito. Personagens altamente customizáveis, história bem bolada e rodava em quase qualquer computador com uma placa de vídeo de 64Mb. Eu queria muito poder jogá-lo, mas pagar estava fora dos meus planos juvenis e adolescentes. Eu não trabalhava, logo, não poderia assumir essa conta. Meu pai jamais teve cartão de crédito e mesmo que tivesse, não iria pagar pra eu jogar, fosse qual fosse o valor. Tendo isso em mente, eu comecei a ir atrás de alternativas grátis. Felizmente eu não precisei sucumbir ao Tibia, pois na minha frente surgiu um jogo de origem chinesa chamado Conquer.

Em 2003, o jogo tinha gráficos relativamente bons. Era (e ainda é) 2D, em contraste com o WOW, que era totalmente 3D. Tirando os gráficos, a vida era bem difícil. Ganhar experiência era praticamente um trabalho impossível, pois os bichos não davam quase nada e não havia quests. Pra subir de nível era necessário farmar muito e acumular gold. Sim, muito gold, porque qualquer drop (item ou moeda que cai no chão quando o inimigo é morto) raro era vendido a valores exorbitantes no mercado dado a porcentagem de gold que cada inimigo dropava ao morrer.

vane na moon platform

Aí eu joguei com essa guerreira até o nível 78. Nessa época, meados de 2005, era rei quem tivesse nível superior ao 90, equipamentos “super” e com atributos “plus” (Super Warrior Armor +1). Hoje existem quests diárias e de contexto que dão bastante XP. Existem poções e prêmios que aumentam a experiência ganha através dos bichos. Há treinamento offline e é possível pagar em dólares pra se ganhar experiência mais rapidamente ainda. Mesmo com todas essas melhorias feitas em 10 anos de jogo eu ainda acho o Conquer um jogo péssimo pra se jogar, subir de nível e ainda conseguir bons itens. Os drops são absurdamente pobres, o comércio agora é baseado essencialmente em dinheiro real, os servidores estão abarrotados de bots que ferram com todo o jogo. Isso sem contar nos brasileiros idiotas que fazem jus à fama que tem nos jogos online. E eu ainda jogo essa porcaria. E sabe porque?

minha lisbela

Porque assim não vicia. Assim eu não perco horas que eu dedicaria ao estudo, à escrever textos aqui no blog ou no meu Tumblr, ao desenho ou ao meu trabalho pra ficar jogando como uma pessoa sem vida. Se eu ganhasse dinheiro com o jogo, eu até concordaria passar muitas horas logada e farmando itens, porém nada ganho com ele. Ganhar dinheiro com jogo MMORPG (tendo lucro, obviamente) é comparável a mineirar Bitcoins, na minha opinião. Você tem um custo muito maior (energia elétrica, manutenção do computador, comida, etc) que o ganho representado pela venda de itens ou de contas (que na maioria dos jogos é ilegal).

O bom de ser grátis e ruim é que você joga pelo apego sentimental e não pelo progresso do seu personagem ou pela vontade de ser o gás da Coca Cola do seu servidor. Você até pode investir algum dinheiro, mas vai ser muito pouco em comparação à quem investe mais da metade de seu salário em itens e facilidades do jogo. Você vai ter uma relação de amor puro com seu jogo, onde ambos andam livres um do outro e depois de um tempo, voltam a se ver, a matar as saudades e prometer se ver novamente em breve. E você vai, vive a sua vida por meses e depois retorna normalmente.

Assim é minha vida com Conquer. Jogo pra desopilar e pra passar o tempo, mas nunca pra me imergir. Prefiro ficar imersa em atividades que impulsionem a minha carreira, meus estudos ou que sejam “lazeres criativos”.

Vida longa aos MMORPG de péssima qualidade!