A banda podre da TI

Dizem que a TI está abarrotada de vagas. Muitas ofertas de emprego que estão apenas esperando gente “qualificada”. Aliás, esse é um choro antigo, ouço ele desde muito antes de começar meu curso técnico, em 2002. A TI tem vagas sobrando, mas pouca gente boa o bastante para preencher. E essa foi a mentira mais deslavada que eu venho ouvindo desde então, ou seja, há mais de 10 anos.

Desde que eu me interessei pela área até os dias de hoje, abriram centenas de escolas técnicas para dar ensino profissionalizante aos aspirantes a computeiros. Aos que queriam ir mais longe, abriram muitos cursos novos e diversas faculdades de ensino superior para suprir a demanda pelo crescente interesse na computação, vindo de homens e mulheres. Cursos mais especializados e menos acadêmicos, tudo para suprir a demanda do mercado por gente capacitada para exercer tais funções.

É claro que, por muitos anos seguidos eu vejo que entram, entre 30 e 50 alunos por vestibular, nos cursos de computação da minha universidade. E vejo que destes, apenas 5 ou 10 se formam por ano. Os cursos requerem do aluno bastante dedicação e constante aprendizado e atualização de seus conhecimentos. A computação é uma área bastante difícil de se atuar, pois é preciso saber de tecnologias velhas e novas, tudo ao mesmo tempo. Os empregadores costumam ver a gente da TI como chaves de fenda ambulantes: servem pra quase tudo dentro de uma empresa. Desde formatar uma máquina ou abrir uma impressora até projetar e desenvolver um sistema complexo, pois tudo deve ser possível e alcançável para um profissional da área. E é aí que o bicho pega…

Desde que voltei pra Caxias do Sul, fiquei 1 mês e meio procurando vagas de emprego. Eu também acho que foi bastante tempo desempregada, sabendo que as empresas choram e esperneiam atrás de trabalhadores da área. Porém, neste tempo todo, garimpei vagas como quem procura um filete de ouro no meio do Alaska. Depois de um certo tempo, encontrei meu veio de sorte, mas foi difícil. Oportunidades de emprego tem de monte, é verdade, mas vagas que preste tem muito poucas. E todas elas procuram especialistas e não apenas gente qualificada. Ou seja, aquela ladainha que ouvimos nos rádios e canais de televisão são lágrimas de crocodilo. Tem gente qualificada sim, muitos até com certificações e muitos diplomas, mas que esbarram nas ofertas esdrúxulas de emprego ou, na entrevista, quando perguntam se dominamos uma série de linguagens e tecnologias como se soubéssemos todas elas desde nossa primeira respiração no útero de nossa mãe. E muitas nem tem conexão entre si, o que demonstra que a vaga não é para alguém qualificado, é apenas pra um profissional randômico que possa saber todas elas juntas. E mesmo que saiba, nunca será no nível de exigência do empregador. Sabemos que quem quer ser especialista em tudo, acaba sendo especialista em coisa alguma, por isso procuramos aprender poucas coisas, mas com qualidade. Aí quando aparece uma vaga como: “Necessário saber com nivel pleno – SQL, Javascript, Java, .NET, ASP, PHP, Cobol, HTML e CSS. Ser DBA no Oracle é um diferencial” chega a doer. Deixam a vaga aberta por meses e meses, como se a miragem de um profissional com todas essas qualidades reunidas no seu nível de exigência pudesse se concretizar magicamente. Nós sabemos que isso é apenas fantasia, mas eles acreditam nesse conto de fadas como se essa pessoa realmente pudesse existir.

E sabe porquê a TI carece de profissionais especialistas? Porque com essa visão errônea, que muitas empresas tem, de que o profissional precisa dominar tudo, acabamos por aprender um pouco de cada assunto para não passarmos fome. Por um tempo isso funcionou, mas hoje é fácil passar fome trabalhando com TI. Nosso trabalho é bastante mal valorizado, porque antes de procurar um profissional, o Zé Mané prefere dar o serviço pra qualquer um que saiba ligar um computador, afinal, não quer gastar muito pra ter a solução. Aí ele acaba com um trabalho porco nas mãos e a certeza do prejuízo que terá para contratar alguém especialista que poderá consertar ou ter que refazer o serviço todo.

Pior ainda é o tipo de avaliação do trabalho do profissional de TI. Muitos calculam o salário conforme as horas parado em frente ao computador, como se fôssemos pagos pra ficar 8 horas diárias em frente ao Facebook olhando bobagens e nos divertindo. Outros preferem nivelar o salário pelos menos competentes e acabam colocando no mesmo saco os outros que se esforçam e fazem tudo certo. Aí ouço asneiras como “mas querida, teu salário não passa de R$ 2.000,00 pela CLT“. Claro que pelo regimento trabalhista é provável que não passe, mas aí o empregador se aproveita da legislação pra escravizar seus candidatos. Contrata um profissional que em carteira vai ter seu registro como um programador genérico, mas na vaga ele pede um especialista pleno em Ruby, Rails, Python, Django e Java (!!!) que saia produzindo como se tivesse nascido com o VIM aberto. Sei que haverá alguém que se submeterá a isso, seja porque sonha com um crescimento profissional que jamais virá nessa empresa, seja porque precisa pagar as contas no final do mês. O ruim é que isso contribui, infelizmente, pra desvalorização da TI como um todo e prejudica à todos nós.

Empregadores esquecem que grande parte de nós precisa pagar um curso numa universidade para ser qualificado. Esquecem que pagamos cursos e certificações para nos adaptarmos às exigências do mercado. Esquecem que passamos horas, dias a fio consumindo nosso tempo livre para ficarmos atualizados com o mundo e com as tecnologias inventadas todos os dias. E tudo isso CUSTA. Dinheiro, tempo e horas de descanso. Chega quase a ser pior que um professor, porque temos todo esse trabalho “extra-classe”, durante toda a nossa vida, que nunca é remunerado, mas é sempre exigido.

Então, empresas de meu Brasil varonil, PAREM COM ESSA LADAINHA. Parem com esse chororô, com essas lágrimas de crocodilo hipócritas e debochadas. Querem profissionais qualificados e competentes? PAGUEM POR ELES. Não me surpreende que muita gente troque a TI por áreas completamente diferentes, seja para fugir do estresse e pouca valorização do trabalho, seja pelos salários irrisórios que não retornam o que investimos em nossa educação e aprimoramento.

Se não quer pagar apropriadamente pelo serviço de alguém qualificado, faça você mesmo. Veja como é fácil saber tudo que você precisa e ainda receber uma merreca em troca por qualquer coisa que você faça. É ruim, não é? Eu também acho, por isso desabafei neste texto. Acho um absurdo que continuemos a ganhar salário de fome, trabalhar como condenados em campo de concentração e ainda ter que estudar como se não houvesse amanhã para não perdermos nosso emprego, em pleno século XXI.

Você tem medo de perder seu emprego?

Primeiramente, vamos começar com uma aula bastante famosa e que fala de um termo ao qual é essencial para que este texto faça sentido para você:

Atualmente, tenho 6 anos de atuação no mercado de trabalho. Comecei como instrutora de ensino de informática básica, depois fui auxiliar de laboratório de informática, após fui analista de suporte e por fim, consultora em business intelligence. Também programo em Python nas horas vagas, mas apenas na área web. Tenho um certo domínio do Django e também de ferramentas para web design. Mas divago…

Baseado no parágrafo acima é que venho escrever este texto. Eu já passei por muitas situações e algumas delas eu me sinto imensamente compelida a compartilhar com vocês, pois elas são muito mais corriqueiras do que se imagina. E por serem corriqueiras e ao mesmo tempo sutis é que me sinto ainda mais motivada a alertá-los dos perigos de se trabalhar em empresas. É claro que, assim como não é um mar de rosas, tampouco é um inferno, portanto não tenham medo de espalhar vossos currículos por aí. O mais importante de tudo é criar habilidades para fugir de situações as quais possam deixá-los com vontade de sair porta afora da empresa, mais ou menos assim:

Quando se entra pra substituir alguém

Esse é o caso mais comum. Você é um cara desconhecido, um estranho no ninho. Em momento algum você desfez a panelinha, afinal, você entrou depois que o outro foi, necessariamente, demitido ou pediu demissão. Entretanto, os seus novos colegas de trabalho poderão tentar te hostilizar para que você se sinta mal, como se isso fosse trazer de volta o colega que não ocupa mais aquela vaga. Eles vão te usar como objeto de rebelião contra uma demissão que eles julgaram injusta. Claro que você não tem culpa de nada, afinal, esse bonde já estava andando quando você entrou. Mas como eles precisam chamar a atenção do chefe, nada melhor do que pegar no pé do colega novo que não tem base solidificada na empresa.

Primeiramente, crie uma proximidade saudável com seu chefe. Eu entendo que por “proximidade saudável”, seja ter um diálogo aberto e franco, sempre que possível. Quando se é alvo desse tipo de bullying, há duas formas de se livrar dele: a primeira é virar o jogo, ou seja, pegar a arapuca armada pra você e deixá-la armada para que quem está te incomodando, caia nela. A segunda é reunir provas suficientes e concisas para acusar o seu colega agressor. Esta última é a mais delicada e complicada de se fazer, porque se agarrar em fatos onde a interpretação é apenas “implícita” deixa tudo mais difícil pro seu lado, pois ninguém, e eu repito que NINGUÉM vai querer queimar seu próprio emprego para te salvar. As pessoas até podem querer ajudar e sentir compaixão, mas ninguém vai se arriscar em prol do seu benefício. É uma roleta russa que ninguém quer participar, pois como o cano não tem nome, ele pode apontar pra qualquer um.

Para que a arapuca caia sobre quem está te hostilizando, é necessário fazer uma coisa simples que dificilmente se voltará contra você, que é deixar o malvado cair nas próprias maldades. Por exemplo, se seu colega deixa de lhe enviar material necessário para cumprimento de uma tarefa sua que dependa dele, deixe isso claro para seu chefe que a culpa não foi sua. Você pode até dedurar, mas seja imparcial nisso. Diga que seu colega não lhe enviou o material, mas que imagina que ele possa estar ocupado, sobrecarregado e por isso não o fez. Aí seu chefe irá conferir com seu colega o porquê de não ter enviado e aí, ele vai ter que se explicar. Isso é apenas uma das formas que é possível fazer o feitiço se voltar contra o feiticeiro…

Quando seu colega não quer lhe ensinar

Vamos seguir a linha de antes, ou seja, armando a arapuca de volta pra quem lhe armou. Você está exercendo uma função nova que requer aprendizado dos processos que a envolvem, os quais você desconhece. Aí seu colega que deveria estar te treinando, está fazendo corpo mole e não está te passando nada. Eu geralmente interpreto isso de duas formas: ou é puramente preguiça, ou é medo que você se destaque mais do que ele na função, colocando em risco o emprego dele. Normalmente a segunda é mais frequente entre colegas de trabalho que não tem hierarquia entre si, e mais ainda quando a hierarquia existe, pois ninguém quer perder uma posição de gestão.

E aí sua função tem alguns processos que geram entrega de relatórios e documentos em datas específicas para que outros possam exercer as suas respectivas funções. Você não conhece bem o seu processo por conta de seu colega que passou todo o tempo olhando portais de notícias na internet ao invés de te passar conhecimento. Nesse tormento, você se depara com uma situação desagradável, que é: assumir que não sabe nada pro chefe ou tentar executar sua tarefa com o que você sabe e entregar de qualquer jeito? Eu digo que se pode usar ambas, mas em tempo hábil de você aprender o que precisa e entregar a tarefa de forma completa e correta. Digamos que você tem um mês pra entregar um relatório consolidado de informações. Isso requer que você analise, agrupe e interprete essas informações para fazerem sentido pra quem for lê-las depois. Aí, passou uma semana e nada do seu colega lhe passar o conhecimento, seja pela qual desculpa for. Você tenta fazer alguma coisa, mostra pro seu chefe e diga que isso foi o que conseguiu fazer, com o conhecimento que lhe foi passado. Use a tática do item anterior, ou seja, pergunte se não há outra pessoa que lhe possa ajudar, pois o colega designado a te ajudar não está encontrando tempo pra lhe passar as instruções necessárias e está atrasando seu trabalho. E novamente, a bola não está mais com você e, claro, o cano deixou de apontar pro seu nariz. Isso, obviamente, até a próxima tarefa, mas assim você consegue ir tirando essas situações de letra até que você domine a sua função.

A parábola da cobra e do vagalume

Você exerce tão bem a sua função que atrai a atenção de outros gestores e faz com que seu chefe pense que você brilha mais do que ele na empresa. Bem, essa é a situação mais complicada, pois dependendo da estrutura hierárquica da empresa, não há a quem recorrer. Sendo assim, se não há chefes acima do seu chefe imediato e se não há a quem mais chorar, faça o mais sábio: espalhe currículos e caia fora dali. Esse emprego só vai te dar dor de cabeça, úlceras e estresse por nada. Se o trabalho que tu tens representa usar boa parte do salário pra pagar por remédios pra curar problemas que ele mesmo causou, alguma coisa está errada.

Agora, se existe um chefe acima do seu chefe, a coisa fica um pouco mais fácil. Vamos supor que você executa um trabalho que seu chefe utiliza pra complementar/analisar e entregar pra uma terceira pessoa. As atitudes dele podem ir desde a dizer que o trabalho que você faz é pegar tudo em estado bruto e passar pra ele até dizer que ele fez tudo (ou grande parte do trabalho) sozinho. Não existe sensação de impotência maior, no âmbito empresarial, que é não poder provar que alguém está errado, ainda mais se for seu chefe. É complicado ir contra quem pode te demitir. Mas bem, nem tudo está perdido. Para as situações de antes e esta, em especial, é importante desenvolver o “complexo de esquilo”. Guarde tudo, desde e-mails, até bilhetinhos, anotações e coisas do tipo. Quando fores questionado sobre como conduzes teu trabalho, tu poderá dizer que o conduz bem, que o faz de forma correta e poderá demonstrar. Se o chefe do seu chefe perceber que há algo de errado, começará a caça às bruxas. Quem não deve, não teme, ou seja, mantenha o seu fora da reta em tudo que puder. Claro que, ao “manter o seu fora da reta”, significa dizer que você deverá ser uma pessoa correta, que age com transparência e franqueza. Se sua conduta for essa e se guardar tudo aquilo que poderá estar a seu favor, então não há com o que se preocupar.

Quando aparecem imprevistos

Uma vez, o @edipoterra me contou a seguinte história:

“Eu estava sentado em minha mesa, ajeitando minhas tarefas do dia e checando meus e-mails do trabalho. Eis que meu chefe aparece ao lado de minha cadeira e me pergunta: “você sabe assentar azulejos?” Eu, tentando não parecer ríspido, disse que não sabia, mas que me dispunha a ajudar no que fosse preciso. Ainda intrigado, perguntei: “mas o que está acontecendo?” Meu chefe, então, me respondeu: é que estamos reformando o banheiro dessa sala e o pedreiro disse que vai demorar a vir, então como eu queria agilizar o trabalho, resolvi te perguntar se por acaso tu saberia assentar azulejos. Perguntei pra outras pessoas, mas ninguém sabia também.”

Claro que essa situação é extrema. Você, nerd, trabalha com TI dentro de um escritório e sempre trabalhou assim. Aí chega alguém (normalmente um chefe de setor) e te pergunta se tu sabe fazer algo totalmente fora do seu contexto. Se isso não for algo frequente, acredito que não há problemas em fazer a tarefa, caso você saiba. Se não sabe, seja sempre honesto e diga a verdade, pois se resolver se meter a fazer algo que não domina, vai acabar queimando a impressão que as pessoas tem de você. Pra construir uma reputação é árduo, mas para destruí-la, é como dar tapa em castelo de cartas. E como a relação entre as pessoas dentro de uma empresa é normalmente fraca (o que une, muitas vezes, é apenas o vínculo empregatício ou de um projeto sendo executado), é importante manter sua reputação sempre em dia.

Não tenha medo de dizer que não sabe fazer uma tarefa, isso não vai fazer de você um funcionário menos relevante na empresa. E também vai evitar te colocar em situações embaraçosas, onde tudo que você queria era demonstrar serviço e acabou apenas demonstrando que não sabe mentir. É preferível que você diga que não sabe, mas se dispõe a aprender (dependendo da urgência da demanda pro serviço) do que falar que sabe e depois se ferrar.

Quando não é possível tirar férias

E aí que você já vem de 3 empregos anteriores. Em 3 anos, conseguiu ascender profissionalmente de forma exemplar, porém a um custo um tanto alto: sem férias. Segundo a regra da CLT, o funcionário só pode tirar férias depois de trabalhar ininterruptamente na mesma empresa durante 1 ano. Se em 3 anos, você trocou 3 vezes de emprego (normalmente pra vagas melhores), você está há 3 anos sem férias. Enquanto se é novo, esses 3 anos não chegam a ser um grande problema, pois pique e energia há de sobra. Mas quando se é mais velho, essa rotina é esgotante a ponto de dar origem pra doenças que vem do estresse, como gastrites, úlceras, enxaquecas e por aí vai.

Nesse caso, há duas alternativas a se usar, de acordo com o contexto. Se teu emprego é CLT, ou seja, é registrado em carteira de trabalho, tu podes conversar com teu chefe antes da contratação e negociar esse período de folga pra ser tirado em um futuro próximo. Aí ele vai decidir como isso será pago de volta pra empresa, ou seja, se vai ser descontado das tuas férias, se vai ser pago com hora extra, enfim, isso é uma negociação informal entre você e o empregador. Porém, se você decidiu ser profissional autônomo, é uma questão de ajustar os prazos dos projetos de forma a gerar uma lacuna de tempo que poderá ser usada como folga. Você, nesse caso, é senhor do próprio tempo, desde que claro, saiba que poderá ter de abdicar de projetos para tirar o merecido descanso. Com grandes poderes, vem também grandes responsabilidades, portanto é necessário que você saiba que a sua folga não é remunerada. Se acha que não vai ter grana pra fazer essa folga acontecer, então baixe a cabeça, trabalhe e faça uma poupancinha pra quem sabe, na próxima oportunidade, tirar uns dias de descanso sem (muita) culpa.

Já dizia um sábio Titã: “Eu aprendi, a vida é um jogo. Cada um por si e Deus contra todos. Você vai morrer e não vai pro céu, é bom aprender, a vida é cruel”. E é cruel mesmo, portanto sobrevive quem é mais adaptado pra enfrentar essas adversidades da vida profissional, pois o resto fica pra trás e é engolido pelo plano de carreira ou pelo mercado de trabalho. Se você não quiser fazer parte da ratatáia que fica inerte, aprenda, evolua, erga a sua cabeça diante dos obstáculos e vença. Só você poderá fazer isso por ti mesmo.