Culpar jogos. Até quando?

Deixo aqui as palavras de JM Trevisan, pois faço das dele, as minhas.

Discutiu-se tudo sobre a morte do menino e da família, menos a necessidade de se levar mais a sério distúrbios psiquiátricos. Toda reportagem diz “o menino era um garoto normal”. É? Como você sabe? O que é normal?

É a mania de achar que distúrbio psicológico significa ser locão e sair por ai descabelado e de cueca falando ao contrário.

Passei anos sofrendo com ansiedade e depressão e ninguém se tocou que eu precisava de tratamento. Porque eu era normal. Porque eu tinha uma familia legal. Porque estudava. Trabalhava. Porque nunca me faltou nada. E uma coisa nao tem a ver com a outra.

Enquanto ninguém se der conta disso, vamos continuar tendo casos assim, e vão continuar culpando os videogames, o RPG, a falta de fé, etc.- JM Trevisan

Um post de letrinhas (nº 17)

Aconteceu muita coisa na minha vida, nestes últimos dois anos. Eu saí do conforto da casa de meus pais para encarar a vida de pagar as próprias contas, posteriormente viver em outra cidade e ver que morar sozinha não é fácil, mas nem de longe é ruim. Eu recomendo essa experiência para todos que reclamam (baseado em birra e excesso de barda*) que morar com os pais é ruim, que é preciso seguir as regras deles, que é preciso dar satisfação de onde se está e pra onde se vai, a que horas volta, com quem volta, etc. Você vai ver que ligar pra sua mãe pra avisar que está na casa de um amigo e que vai voltar só depois do jantar era de fato a menor das suas preocupações. Provavelmente vai ter raiva de quem você era, depois de amadurecer na marra. Isso faz bem, demonstra crescimento como ser humano dotado de julgamento e crítica.

Nesse tempo, tive dois empregos bastante distintos. Fiz amigos distintos também, os quais a maioria ainda tenho contato. Aprendi muito, enriqueci meu currículo e voltei pra Caxias com uma bagagem cultural e de conhecimento certamente muito maior do que a que levei pra Porto Alegre.

A coisa mais importante que pude aprender, nesse tempo todo, foi a me afastar de pessoas cujo relacionamento era prejudicial à mim. Isso não é simplesmente terminar um namoro ou ignorar alguém chato no ônibus. É o exercício de identificar as pessoas que tem o dom de te trazer pra baixo, de sabotar seu dia e de deixa-lo com a sensação de que nada mais vale à pena na vida. Pessoas que somente observam seu fracasso, sua derrota e sua tristeza. Gente que não sabe valorizar uma amizade, um favor ou um conselho. Sempre me disseram, aliás, que se conselho fosse bom a gente deveria vender. Eu, além de nunca ter cobrado por eles, sempre os dei com vontade genuína de ajudar. Não sinto prazer na derrota dos outros e nem acho bom ver alguém afundar, sabendo que eu posso dizer algumas palavras pra evitar que isso aconteça. Nessa boa vontade toda, aprendi também que não adianta “salvar” quem não quer ser “salvo”. Há quem aprecie mais sentir-se triste e incapaz, do que sentir-se alegre e confiante. Eu nunca vou entender como isso pode ser benéfico (ou confortante), mas já há algum tempo eu respeito. Afinal, meus direitos terminam onde começam os do próximo.

Tive amigos muito importantes, que posso contar nos dedos das mãos. Me ajudaram muito quando mais precisei, me disseram palavras que iluminaram meu caminho, me ofereceram seus ombros como apoio e como conforto, me fizeram rir (mesmo da desgraça) e me fizeram ver o lado bom em tudo. Vocês sabem quem são, tenho certeza disso. À vocês, dedico minha eterna gratidão. E quem me conhece, sabe que isso significa que vou retribuir tudo isso, nem que leve minha vida toda.

Me viciei em trabalho. Quem viveu ao meu redor nessa época, certamente me viu na minha pior forma até hoje. Fiquei cega por trabalho, tanto que eu tinha meu turno de 8 horas diárias no meu emprego e minha diversão no meu tempo livre era trabalhar mais ainda. Eu não tinha limites pra horário. Meu dia começava às 8 da manhã e terminava só no outro dia, lá pelas 2 da madrugada. Sono completamente perturbado, pesadelos todas as noites, ansiedade à mil e uma sensação de vazio completo. Por uns longos 3 ou 4 anos eu me desgastei, cheguei muito perto de um colapso nervoso. Aí, com a ajuda de pessoas maravilhosas e muito pacientes (perseverantes também), eu acordei e vi que precisava relaxar. Aquilo não me levaria à lugar nenhum, ao menos não no ritmo que eu estava indo. Desse “despertar” pra vida, nasceu a Taverna do Menestrel e minha mais nova paixão pelo desenho. Ganhei revistas-tutoriais, comprei um caderno de desenho, lápis de cor, giz de cera, tinta guache, massinha de modelar e tudo o que fosse necessário pra fazer aquilo que eu quisesse. Produzi coisas boas, melhores do que eu esperava. Se quiser, confira meu perfil no DeviantART.

A Taverna do Menestrel é um empreendimento que tenho com o Douglas, que hoje é meu namorado. Vai a passos pequenos, mas sólidos. Tenho boas esperanças acerca desse negócio, acho que vai ser algo muito além de divertido, vai ser algo que poderá revolucionar a ideia que temos hoje sobre como devemos reunir pessoas para jogar RPG. Temos alguns projetos na área de jogos que prometem ser muito bons. Enfim, acho que ainda esse ano vamos anunciar coisas novas sobre a Taverna do Menestrel por aqui e pelo Facebook. A página ainda é tímida, pois vamos alimentá-la de fato quando houver conteúdo relevante para publicação.

Sinto que esse ano de 2013 me trará bons ventos, que irão inflar as velas de meu navio e irão me tirar da calmaria que vivi nos últimos meses. Vou aproveitar todos eles ao máximo, pra ver se me dou melhor em outros mares e também vou usá-los para crescer, aprender e amadurecer mais ainda. Vou cultivar mais a “criança” dentro de mim, para que minha criatividade e minha imaginação jamais tenham limites impostos pela rotina do dia a dia.

Ah, voltei a jogar videogame também. No momento, estou apaixonada por Gran Turismo 5. Amo jogos de corrida, principalmente de carros. Me aprimorei no Magic e agora jogo com a gurizada da cidade novamente. Fiz decks novos e de quebra, ainda ensinei minha mãe a jogar. :)

I guess that’s all, folks!

Dia de Tormenta – Caxias do Sul

O evento será uma ambientação de aventura de RPG (Jogo de Interpretação de Papéis) tanto para jogadores iniciantes quanto para veteranos durante a tarde de sábado. O objetivo do evento é divulgar o cenário de Tormenta RPG (sistema 100% brasileiro) e integrar novos jogadores ao universo do Role Playing Game.
Dia de Tormenta é uma aventura de RPG para 6 a 10 personagens (6º nível), que colocará os heróis contra o adversário final que é a maior ameaça conhecida, mas ainda no início de sua manifestação. Mesmo assim, o perigo é imenso!
Tudo isso vai acontecer no Zarabatana Café, dia 24/03 às 15h. Para todo participante haverá a distribuição de um kit de participação. Vamos lá, a entrada é gratuita! Quem quiser, confirma comigo (via comentários ou playthecoin@gmail.com) ou com Douglas Mello a participação no evento. Valeu, gurizada!

Diálogos de jogos em rede

Na minha época de ensino médio, eu costumava jogar bastante jogos de PC em rede com meus amigos. Como ninguém tinha notebook (só um deles, mas podia ser facilmente comparado à um bloco de cimento), nós costumávamos levar nossos desktops até a casa do anfitrião que abrigaria nossa festa. Isso mesmo, levávamos CPU, monitor (que era de tubo, eventualmente de 17″ e pesava pra cacete), teclado, mouse e estabilizador. Normalmente a gente tentava organizar a carona, pra que a maior quantidade de PCs pudesse ser levada em poucas viagens. Pensa num carro com três semi-marmanjos amontoados entre o equipamento e tentando segurar tudo pra não cair a cada freada. E a gente enfrentava isso numa boa…

Chegando na casa do anfitrião, começávamos a nos abancar na sala. Improvisando mesas e cadeiras, a gente ligava o número máximo de computadores por tomada. Essa quantidade deveria ser de apenas UM computador, mas como noção era algo que nos faltava, nós ligávamos 3. E se possível, dois deles no mesmo estabilizador. De qualquer forma, nunca incendiamos nenhum apartamento e nem causamos nenhum curto circuito. Sorte de noob é coisa linda de se ver.

Passávamos a noite toda assim. Antes de tudo a gente encomendava a janta (lembro que uma vez estávamos em uns 10 ou 12 e a janta foi 160 esfihas do Habib’s. Conto isso em outro post.) e depois de jantar assistindo filme ou vendo vídeos toscos no Youtube, começava a alegria:

“-Quem vai ser o host?
-Eu!
-Não tu, Mauro, teu computador sempre dá lag! Tu vai ser o host, Mati!
-Mas porquêêê?
-Porque sim. Porque senão a gente te dá PK e pega tua orelha, teus itens e vende tudo.”

O jogo que mais jogávamos era Diablo II com expansão. Cada um com seu personagem, trocávamos itens, criávamos mulas (personagem pra armazenar item. Um dia eu conto como funcionava), fazíamos duelos e rushávamos os personagens que estivessem em níveis mais baixos, ajudando eles a fazerem suas quests. Foi então que numa dessas, um diálogo em particular entre três de nós ficou pra sempre guardado na minha memória:

“-Maati, abre um portal!
-Não dá, Leon, não tenho mais portal!
-Vane, abre um portal pra ele!?
-Tá!
-Foi lá comprar poção?
-Comprei um monte de rejuvenation potion e fiz as grandona no cubo.
-Vamo mata o Diablo loooogo…
*thunderstorm* -> *mana shield* ->*shivering armor* (maga se preparando para combate)
-Comprou as poções de mana que eu te pedi?
-Opa, esqueci!
-Aaah Matii!!!
-Aaah Leon, não tenho mais dinheiro, gastei tudo consertando item!
-Mati, tu é um inútil! Tá, Vane me dá poção de mana?
-Tá…tenho 3 só…
*depois de todas as “seals” abertas*
-Wee, e veio!!!
-Mati, faz teu zoológico…Vane, vai lá proteger ele!
*Diablo dá um nova de fogo*
-Que merda!!! Morri de novo!
-Mati, tu não presta pra nada! Vane! Abre um portal pra ele e protege o corpo dele que eu vou batendo no Diablo!
-Vou dá uns nova nele…
-Voltei! Vo pega meu corpo…meeeerda, morri de novo!!! Aah, Vane, porque tu não tava aqui!?!
-Mas…mas…mas…”

Ainda tem mais, mas estes sairão em outras edições.

Aguarrdemm...

Lista de proibições no RPG

Quando você está num grupo de RPG, você está inserido num mundo onde tudo é possível, pois é regado à imaginação, certo? ERRADO.
Tem coisas que nem no RPG fazem lógica. Às vezes nem é uma questão de lógica, e sim de bom senso. Pensando nessas situações, nosso parceiro de grupo Eduardo elaborou uma lista das coisas as quais ele foi proibido de sequer cogitar fazer.

Coisas que ja me foram proibidas/negadas nos RPGs

1- Não posso cruzar um orc e uma elfa para fazer um meio-orc-meio-elfo (duende verde).
2-As seguintes raças, independente da explicação que eu der, não podem ser Samurais: Kenku e Minotauro.
3- Não devo questionar o funcionamento do sistema sanitário de das grandes cidades de Arton.
4- Não devo questionar se minotauros ruminam.
5- Não devo questionar se minotauros tem rabo.
6- Não devo questionar se minotauros mugem depois de chutar uma pedra.
7- Não devo questionar se existe minotauros malhados preto/branco.
8- Não devo deixar o minotauro enfrentar um monge.
9- Se eu fizer um personagem Kenku não posso ter a desvantagem protegido “ovo”.
10- Não posso (Não Devo) pedir leite em um bar de orcs, o atendente pode entrar em fúria.
11- Não devo pegar as desvantagens: Fobia à Aranhas e Inimigo.
12- Não posso mais confiar no senso comum do grupo.
13- Não devo dar pimenta para o Goblin do time.
14- Quando for um ladino, não devo burlar a quest tentando roubar o item no 1º encontro.
15- Quando for um ladino, não posso dar furtivo com um canhão em uma tartaruga gigante.
16- Quando for um ladino, minhas estrategias contra criaturas gigantes (tiranossauro, dragão, etc) não pode ser tentar ser engolido inteiro para dar um furtivo diretamente no estômago.
17- Quando for um ladino, não tentar dar uma de tanquer.
18- Não devo tentar encostar em fios estendidos ao redor do acampamento pelo personagem do mestre.
19- Não devo fazer um teste de vontade contra uma placa de “não puxe”, por vontade própria.